terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vapor Benjamim Guimarães



Construído em 1913, nos EUA, pela empresa James Rees & Com., o Vapor Benjamim Guimarães navegou no rio Mississipi e, posteriormente, em rios da Bacia Amazônica. Na segunda metade da década de 20, a firma Júlio Guimarães adquiriu a embarcação e a montou no porto de Pirapora, recebendo o nome de "Benjamim Guimarães", uma homenagem ao patriarca da família proprietária da firma. A partir de então o vapor passou a realizar contínuas viagens ao longo do Rio São Francisco e em alguns dos seus afluentes.

Ao contrário das demais embarcações da época, as viagens eram programadas de modo a permitir que o mesmo atendesse as mais variadas necessidades, indo e vindo de vários portos intermediários antes do seu regresso ao porto de origem. O Benjamim Guimarães era mais utilizado no transporte de cargas do que de passageiros.

Relatos dos antigos usuários da embarcação contam que em uma dessas viagens coincidiu com as andanças de cangaceiro “Lampião” por pequenos povoados situados às margens do rio, atacando fazendas na região de Juazeiro/BA. Ao tomar conhecimento do grande volume de carga transportada pelo Benjamim Guimarães, “Lampião” e seu bando planejaram atacá-lo. Ciente do perigo que corria e se valendo do fato do rio ser largo naquele trecho, a tripulação do Benjamim imprimiu velocidade máxima à embarcação, dirigindo-se à outra margem, livrando-se assim dos tiros em sua direção.
Na década de 40, o vapor tornou-se propriedade da empresa Navegação e Comércio do São Francisco, do empresário Quintino Vargas que, em 1942, foi incorporada à CIVIP - Cia. Indústria e Viação de Pirapora. 
  Em 1955, tendo ocorrido a encampação, pela União, de todas as empresas de navegação, o Vapor Benjamim Guimarães é transferido, juntamente com outras 31 embarcações, para o CVSF - Serviço de Navegação do Vale do São Francisco e, posteriormente, para a FRANAVE - Companhia de Navegação do São Francisco.

Por várias décadas, o Benjamim Guimarães foi utilizado no transporte de cargas e passageiros no trecho Pirapora - Juazeiro, no Norte da Bahia, chegando a navegar com centenas de tripulantes à bordo que se dividiam em 1a , 2a e 3a classes, além de ter transportado – durante a Segunda Grande Guerra Mundial - tropas do Exército Brasileiro que se dirigiam para o litoral de Pernambuco e do Rio Grande do Norte para o patrulhamento da costa, de onde embarcariam para a Itália, na Força Expedicionária Brasileira. 

No início dos anos 80, com a decadência da navegação no São Francisco, o vapor passou a ser utilizado em passeios turísticos e as viagens tornaram-se cada vez menos freqüentes. Em 1o de agosto de 1985, dado seu valor histórico-cultural, o Benjamim é tombado pelo IEPHA - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico. No mesmo ano, já bastante deteriorado pela ação do tempo, recebe sua primeira reforma. Após concluída a restauração, o vapor volta a navegar oficialmente em 24 de outubro de 1986, data marcada por uma cerimônia com a presença do então Ministro dos Transportes José Reinaldo Tavares. Em julho de 1987 a Empresa UNITOUR fica responsável pelo agenciamento de viagens turísticas no trecho Pirapora-São Francisco-Pirapora, totalizando 460 Km, atraindo turistas de todo o Brasil. Foram reiniciados também os passeios aos sábados, com duração de três horas, promovidos pelos principais hotéis da cidade. 
Em 1995, o Vapor apresenta falhas na caldeira e no casco e, por motivo de segurança, é interditado pela Capitania dos Portos de Minas Gerais. Em 29 de janeiro de 1997, o Benjamim é incorporado ao Patrimônio Histórico do Município de Pirapora, através de Termo de Transferência firmado entre a Franave e a Prefeitura. Atracado no porto da Franave por quase 10 anos, o Vapor Benjamim Guimarães voltou a navegar nas águas do “Velho Chico” na manhã do dia 11 de agosto de 2004, após passar por uma segunda recuperação - reforma e restauração, realizada pela Franave/Ministério dos Transportes, com supervisão do IEPHA – Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e vistoria técnica da CFSF - Capitania Fluvial do São Francisco. O Engenheiro Naval Odair Sanguino, do Rio de Janeiro, foi o responsável pela coordenação dos trabalhos de recuperação, recebendo o auxílio do restaurador Aílton Batista da Silva e do arquiteto Joacir Silva Concelos, profissionais lotados no IEPHA.

O Benjamim Guimarães possui três pisos: no primeiro, encontra-se a casa de máquinas, caldeira, banheiros e uma área para abrigar passageiros. No segundo, estão instalados 14 camarotes e no terceiro, um bar e área coberta. O Benjamim Guimarães é o último exemplar movido a lenha existente no mundo. Tem capacidade para 140 pessoas, entre tripulantes e passageiros e consome 01 m³ de lenha por hora. De acordo com as normas de segurança da Marinha, nas atuais condições em que se encontra, o Vapor está autorizado a navegar na chamada área 01: rio, lago e correnteza que não tenham ondas ou ventos fortes. 


Hoje, o Benjamim Guimarães faz rotineiramente passeios públicos aos domingos, a partir das 9 horas, sempre lotado de turistas, principalmente. 

Passeios esporádicos são feitos também aos sábados e durante os dias da semana, conforme contratos de aluguel que são feitos com empresas e agências de viagens, tornando-se um dos principais atrativos turísticos de toda a região do Norte de Minas. 

Fonte: www.pirapora.mg.gov.br





 
Resolvi dividir esta postagem em duas partes, pois esta lenda viva merece uma atenção especial. Sendo dividida da seguinte forma: Esta a primeira com informações do navio, e a segunda com um texto lindíssimo que gostaria de dividir com os Srs.

domingo, 18 de outubro de 2009

Rio São Francisco. Este Rio que é um mar !

Um rio de tradições, que faz o povo cantar e dançar. Um rio que inspira figuras assustadoras. Metade homem, metade bicho. O poder das carrancas serve até para espantar tempestades, acreditam os navegadores do São Francisco. Mas estas águas também abrigam um outro monstro temível. Caboclo d´água. Criatura estranha que mora nas profundezas do rio e na imaginação de muitos pescadores. Pode ser do bem ou do mal. Depende de como for tratado durante a pescaria. E é deste rio que vou falar agora venha comigo viajar pelo rio São Francisco, velho Chico ou Opará, como era conhecido pelos indígenas antes da colonização.

Tudo começa aqui.



 Com 2.800 km de extensão, e drenando uma área de aproximadamente 641.000 km2, o rio São Francisco nasce no estado de Minas Gerais, na Serra da Canastra, desemboca no Oceano Atlântico, entre Sergipe e Alagoas. Apresenta dois estirões navegáveis: o médio, com cerca de 1.371 km de extensão, entre Pirapora(MG) e Juazeiro(BA)/Petrolina(PE) e o baixo, com 208 km, entre Piranhas(AL) e a foz, no Oceano Atlântico.
O rio São Francisco atravessa regiões com condições naturais das mais diversas. As partes extremas superior e inferior da bacia apresentam bons índices pluviométricos, enquanto os seus cursos médio e sub-médio atravessam áreas de clima bastante seco. Assim, cerca de 75% do deflúvio do São Francisco é gerado em Minas Gerais, cuja área da bacia ali inserida é de apenas 37% da área total.

A área compreendida entre a fronteira Minas-Bahia e a cidade de Juazeiro(BA), representa 45% do vale e contribui com apenas 20% do deflúvio anual. Os aluviões recentes, os arenitos e calcários, que dominam boa parte da bacia de drenagem, funcionam como verdadeiras esponjas para reterem e liberarem as águas nos meses de estiagem, a tal ponto que, em Pirapora(MG), Januária(MG) e até mesmo em Carinhanha(BA), o mínimo se dá em setembro, dois meses após o mínimo pluvial de julho.



 À medida em que o São Francisco penetra na zona sertaneja semi-árida, apesar da intensa evaporação, da baixa pluviosidade e dos afluentes temporários da margem direita, tem seu volume d'água diminuído, mas mantém-se perene, graças ao mecanismo de retroalimentação proveniente do seu alto curso e dos afluentes no centro de Minas Gerais e oeste da Bahia. Nesse trecho o período das cheias ocorre de outubro a abril, com altura máxima em março, no fim da estação chuvosa. As vazantes são observadas de maio a setembro, condicionadas à estação seca

 Condições Pluviométricas


As condições pluviométricas, no baixo curso do São Francisco, diferem das constatadas no médio e alto cursos. No baixo vale os meses mais chuvosos são, geralmente, os de maio, junho e julho. O período de estiagem perdura de setembro a fevereiro, sendo outubro o mês menos chuvoso.


No médio e alto vales as maiores precipitações vão de novembro a março. O período menos chuvoso inicia-se em abril, estendendo-se até outubro, sendo junho, julho e agosto os meses de menores precipitações.




Condições de Navegabilidade



O Rio São Francisco oferece condições naturais de navegação entre Pirapora-MG e PetrolinaPE/Juazeiro-BA, durante todo o ano, com variação de calado segundo o regime de chuvas.
É navegável em seus trechos Médio e Baixo, sendo o Médio São Francisco compreendido entre Pirapora-MG e Petrolina-PE / Juazeiro-BA e o Baixo entre Piranhas-AL e a Foz.
Devido as diferentes características físicas existentes ao longo da via navegável, subdivide-se o trecho Pirapora-MG à Petrolina-PE/Juazeiro-BA em 03(três) subtrechos, a saber:


1º) Pirapora-MG à Pilão Arcado Velho-BA
Este trecho com 1.015km de extensão, apresenta condições bastantes distintas entre o período de estiagem e o de cheia, ocorrendo variações de níveis de até 6,00m.




Na cheia o leito do Rio é largo e regular, com estirões naturalmente navegáveis. No
período de estiagem, a área molhada é menor, o talvegue se desenvolve entre ilhas e bancos de areia móveis ao longo do canal, que é desobstruído à medida que se torna necessário para manter a segurança da hidrovia.

Há também, a existência de travessões rochosos e pedrais em alguns trechos, pedrais junto à margem e pedras isoladas no leito do rio, que são devidamente sinalizados e balizados, garantindo navegação segura.
Quanto aos bancos de areia estima-se um volume anual de dragagem na ordem de 150.000m3 à 250.000m3, dependendo das condições do rio. Para todos os pedrais existentes, é feita sinalização com placas e bóias, e para alguns deles são feitos estudos quanto a possibilidade de derrocamento. 



2º) Pilão Arcado Velho-BA à Barragem de Sobradinho-BA
Neste trecho a navegação é feita pelo Lago de Sobradinho ao longo de 314km, caracterizando-se como navegação lacustre com excelentes profundidades.



3º) Sobradinho-BA à Petrolina-PE/Juazeiro-BA
Trecho com 42km de extensão e largura variando de 300 a 800m, garante calado de 2,00m para uma vazão da Barragem de Sobradinho de 1.500m3 /seg. (A vazão defluente regularizada da U.H. de Sobradinho é de2.063m3 /seg).
 


Represa de sobradinho ao cair da tarde. 


4º) Piranhas-AL à Foz
Com uma extensão de 208km, apresenta navegação turística.

A foz 

Ponto de encontro do Velho Chico com o Oceano Atlântico. Lugar onde o maior rio 100% nacional mistura suas águas doces com as salgadas. Antigamente, dizia-se que o rio invadia o mar. Agora, com a visível morte lenta do rio (o que tende a aumentar, segundo ambientalistas, com a transposição ao invés da revitalização), é o mar que invade o rio. Mas o espetáculo não deixa de ser maravilhoso: a areia é branquinha, tem conchinhas no chão. Um detalhe interessante: em Piaçabuçu, as velas de jangada são quadradas, chamadas velas-borboletas.
 
Piaçabuçu fica a 117 km da capital. A saída para a foz pode ser de Penedo, dando um passeio maior pelo Chico. É um espetáculo especial, pela importância do São Francisco para as comunidades ribeirinhas e, principalmente, e pela própria magia da natureza.



 
CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
•Declividade Média: 8,8 cm/km
•Média das Vazões na Foz: 2.943 m3/s
•Velocidade Média de Corrente: 0,8 m/s (entre Pirapora - MG e Juazeiro - BA).

PRINCIPAIS AFLUENTES
Rio Paraopeba;r
Rio Abaeté;r
Rio das Velhas;r
Rio Jequitaí;r
Rio Paracatu;r
Rio Urucuia;r
Rio Verde Grande;r
Rio Carinhanha;r
Rio Corrente;r
Rio Grander

  
Termino por aqui esta postagem, e espero que tenham gostado. As informações acima foram retiradas da internet.




domingo, 27 de setembro de 2009

Matando Saudades

Selecionei algumas fotos antigas de nossa cidade. 


 Rua Cônego Marinho, em frente ao antigo clube dos 40 hoje CDL.


Atualmente praça Getúlio Vargas ( Praç. da fonte Luminosa)



 A direita a atual praça Getúlio Vargas e mais a frente o Porto.




 Praça Tiradentes ao fundo o hospital são Vicente atualmente faculdade "CEIVA"



Rua Mata Machado



O Porto



O Porto próximo a Praç Benjamim Constat




O Fórum funcionava na parte superior e a cadeia em baixo.




Ginásio São João 



A origem

A história da cidade começou no período colonial, em 1553, quando o governador-geral Duarte da Costa mandou uma expedição verificar a existência de ouro na região. Deste ano até 1670, bandeirantes como Fernão Dias, Manoel de Borba Gato e Castelo Branco passaram pela região. O último, Manoel Pires Maciel Parente derrotou a franca resistência dos índios caiapós e fundou o povoado de Brejo do Salgado, denominado assim por conta das águas salobres da região. O povoado progrediu, prosperou e começou a ser chamado de Porto do Salgado.

Em 1833, Brejo do Salgado se tornou uma vila e, em homenagem à padroeira da região, recebeu o nome de Brejo do Amparo. No entanto, a sede do vilarejo foi transferida para Porto Salgado, que em homenagem à princesa Janúria, filha de D. Pedro I, adotou o nome da alteza. Em 7 de outubro de 1860, a localidade é elevada à categoria de cidade.

Há mais duas explicações para o nome da cidade. A primeira é sobre a escrava Januária que fugiu do cativeiro e se instalou na margem esquerda do rio São Francisco. A fugitiva fundou na localidade o primeiro comércio entre barqueiros do São Francisco e tropeiros do sertão.

A segunda é que o nome Januária é uma homenagem a Januário Cardoso de Almeida. Segundo os anais da cidade, o bandeirante teve uma atuação forte na região. A cultura do município tem influência portuguesa, negra e indígena, em que o artesanato ribeirinho com barro, madeira e fibras, os reisados, as festas juninas e as cavalhadas do Brejo do Amparo se destacam.



Conhecendo Januária


Januária está localizada ao norte do Estado de Minas Gerais e às margens do rio São Francisco. A cidade de clima quente foi imortalizada por Guimarães Rosa, no clássico da literatura brasileira, "Grande Sertão: Veredas". Na obra, traduzida para mais de dez idiomas, o município é citado 17 vezes pelo escritor mineiro.
A região é repleta de grutas, parques, praias de água doce, cachoeiras e tem o único pântano do estado. Desta forma, a mãe-natureza criou o palco perfeito para a prática de ecoturismo e turismo de aventura no município. Januária é uma cidade tipicamente brasileira pois sua base cultural é composta por influências portuguesas, negras e indígenas.
Então; "chega pra cá" e vamos ver que tudo isso é Januária.